domingo, 27 de novembro de 2011

Magia Obscura?

             
             Quando Lúcia me contou que tinha ido ao cemitério, eu não acreditei. O que estava acontecendo com ela? Eu perguntei e ela não soube responder, ou não quis. Depois daquele surto, como ela diz, acho que ela perdeu uns neurônios, ou finge que perdeu, porque ela mesma, a pouco tempo atrás, me confessou que morria de medo de cemitério e que nem morta queria ser enterrada em um – tá bom, essa parte foi MUITO exagerada.
            Enfim... Quando ela me perguntou se devia falar para a mãe dela, eu disse que achava melhor ela contar tudinho sem tirar nem pôr.
            Na aula de matemática ela passou mal e até vomitou. A professora viu e ligou para mãe dela para avisar que Lúcia estava passando mal. O estranho?! É que ela nem me avisou nada. Dez minutos depois a mãe dela chegou toda preocupada... Aproveitei e falei para ela já contar tudo para a mãe dela, sobre o cemitério, sobre a escola e tudo o que havia acontecido.
            Passei o intervalo da manhã com Karine, que também  estava sozinha. Conversamos sobre tudo, até contei para ela que Lúcia gostava do Daniel.
            O sinal toca e mais uma aula entediante começa.
            No almoço, fui até a biblioteca, peguei um livro e sentei-me. Minutos depois, vi o professor Rogério entrar e ir para os fundos da biblioteca – cuja entrada de alunos é proibida – e vi um clarão que logo depois se apagou. Curiosa, coloquei o livro no lugar e tirei outro de minha mochila. Agarrada forte à ele, entrei escondida nos fundos e, sem andar muito me deparei com um pentagrama no chão. Meu susto não foi grande, mas não tinha muito idéia do que era. Sabia que era algum tipo de magia, se era obscura, eu não sei. Abri o livro e estava pronta para desfazer aquilo, mas algo me impediu.


Denise

domingo, 20 de novembro de 2011

Quando Tudo Começou


Era meio dia em Linemberg, mas é claro, eu nunca fui para outro lugar. Estava na escola. Não almocei. Estava eu e a Denise.
            A música era alta, ninguém curtia, eu e a Denise fomos curtir o intervalo lá fora, sentindo a brisa, olhando os pivetes jogarem bola, futsal numa quadra do tamanho de um ovo.
            Sem falar nada, ficamos caladas por um bom tempo, de repente os pivetes desapareceram e a escola parecia velha e abandonada. Não havia ninguém. Com medo, Denise perguntou o que havia acontecido, eu não soube responder e ela também desapareceu. Fiquei sozinha, não havia pássaros, o dia estava nublado, a grande árvore estava seca com um monte de galhos retorcidos, entrei na escola para ver se tinha alguém, estava deserto, eu fiquei desesperada, fui até o portão, mas estava trancado, subi para uma das salas de aula, mas os únicos seres vivos que havia eram morcegos e aranhas. Desci, fui ao banheiro, mas só havia um rato sobre uma poça de sangue cheio de moscas. Saí de lá correndo, achando que estava sozinha e não sabia o que fazer, ajoelhei-me no chão, fechei os olhos e comecei a chorar. Alguém me chamou e perguntou o que havia acontecido, abri os olhos, era Denise e estava tudo normal, com os pivetes jogando bola. Eu a olhei aliviada e a abracei com muita força, ela sem entender muito, mas fomos juntas para dentro da escola e eu com um sorriso bobo aliviada por tudo aquilo não ser real.


            Depois que Denise me contou o que havia acontecido comigo, eu fiquei com medo de ter algum problema  mental.
            Passei o dia inteiro sem falar muito, meio desanimado, pensando se eu contava ou não para minha mãe.
            Quando acabou a última aula, nem me despedi direito da Denise e sai depressa. No caminho da escola até a minha casa tem um cemitério. Eu sempre gostei de cemitério, mas nunca tive coragem de entrar em um sozinha, mas dessa vez foi diferente , eu entrei, e sozinha.
            O cemitério estava vazio, só havia duas pessoas que logo foram embora. Andei de vagar sem um destino. O cemitério era tão grande que eu fiquei perdida, comecei ir de uma lado para o outro para ver se achava a saída ou alguém que pudesse me dizer onde é. Alguns minutos depois eu avistei uma pessoa toda de preto olhando fixamente para um túmulo que estava um tanto longe de mim. Andei em direção a ela. Quando cheguei perto, toquei em seu ombro e perguntei onde era a saída, ela olhou pra mim e disse que ficava perto do inferno, seus olhos dilataram,ocupando todo o globo ocular, eu me recuei assustada e sai correndo. Olhei para trás e ela estava pertinho de mim, mas sem expressão de cansaço, como se não tivesse corrido. Comecei a gritar, mandando-a embora, ela ficou


um tempo parada me olhando, depois desapareceu. Olhei em volta para ver se era outro surto. Não era. Eu estava realmente no cemitério. Voltei a procurar a saída. Achei. Voltei para casa com muito medo. Não consegui “pregar” os olhos durante a noite. 

Lúcia