E lá estávamos nós duas, vidradas no tal pentagrama que a Denise estava tentando decifrá-lo, ou algo parecido, quando de repente apareceu uma mulher estranha, toda de preto, e arrancou o livro que estava com a Denise perguntando onde conseguiu. Denise disse que era dela, mas a mulher a chamou de mentirosa em um tom provocador. Essa mulher me empurrou, eu cai sentada no pentagrama. Pegou a Denise pelos cabelos e saiu arrastando-a. Não consegui ir atrás, a mulher foi muito rápida. Só consegui ouvir os gritos da Denise. Levantei depressa para tentar ajudá-la, mas já era tarde, a porta da biblioteca havia desaparecido.
Procurei pela biblioteca algum outro livro de magia, mas não encontrei nenhum. Fui ao mesmo lugar onde estava o pentagrama, em vez de preto, ele estava vermelho. Olhei em volta e tudo na biblioteca havia ficado velho, cheio de poeira e com teias de aranha. A porta reapareceu, mas aberta sem a maçaneta. Sai da biblioteca. Havia alunos, mas eles eram diferentes, usavam roupas antigas e me olhavam, mas de um jeito como se eu não estivesse ali.
Comecei a imaginar que eu tivesse voltado para o passado. Mas era estranho, pois mesmo se tivesse no passado, eles não deixariam a biblioteca tão abandonada.
Eles falavam outra língua, acho que alemão, não entendo muito bem outras línguas.
Estava cansada de ouvir aquelas coisas que só se entende em outro país, e daquele cheiro horrível. Voltei para biblioteca, na esperança de voltar para o “presente” – isso se eu realmente estivesse no passado. Eu voltei. Sai da biblioteca, mas não encontrei a Denise. Fiquei pensando o que teria acontecido, qual era aquele lugar onde eu tinha ido e o que havia naquele livro que interessava tanto aquela mulher.
Lúcia



