De repente acendeu
uma luz branca muito forte que eu mal conseguia abrir os olhos. Quando eu me
acostumei com a claridade, percebi um homem na minha frente. Levei um susto
quando vi que tinha a metade do rosto deformada, e me lembrei que era o mesmo
homem que eu encontrei no necrotério. Dei um pulo pra trás, ele pediu para
ficar calma que ele não ia fazer nada comigo.
Sentei lentamente no chão, apoiei
minha cabeça na minha mão e comecei a chorar.
Ele se abaixou na
minha frente, segurou meu braço e falou com afeto que estava tudo bem. Eu sem
pensar soltei toda raiva que sentia e desabafei:
-Não! Não está tudo bem!- eu
levantei brutamente ele levantou também- Eu vejo coisas tenebrosas, apareço em
lugares estranhos, conheço pessoas estranhas que não me explicam nada, nem o
nome falam. Minha melhor amiga desapareceu, nem sei se alguém sabe disso, não
sei como está minha mãe, e o pior de tudo, eu não sei como fazer isso parar, eu
não sei como resolver isso, eu não sei se isso é real...
Eu olhei para o chão, vi que eu
estava descalça e pisava na terra coberta de folhas, algumas verdes outras
secas. Olhei em volta e vi uma paisagem de outono. Havia várias árvores, e se
ouvia pássaros cantando.
Olhei para ele, vi que nele eu podia
confiar, apesar de seu rosto não star muito agradável, ele expressava no olhar
que era uma pessoa do bem e que queria me ajudar. Ele me abraçou. Aquele abraço
só fez com que eu tivesse certeza que ele estava do meu lado, e eu o abracei
também. Perguntei que lugar agradável era aquele, ele disse que era a casa dele, ele que tinha
me trazido, eu perguntei se ele poderia me ajudar:
-Escute! – ele segurou minha mão –
Você está no mundo da magia, aqui há bruxas, feiticeiros, vampiros,
prisioneiros e tudo que não há no outro mundo. O que você vê pertence a esse
mundo, você pertence a esse mundo.
Sua amiga não, ela vir parar aqui não estava nos planos, então Demi, a bruxa
mãe, trouxe Nayara para levar Denise de volta, mas deu errado de novo e Denise
continua presa aqui...
-Eu não quero estar aqui! – puxei
minhas mãos – aqui é ruim, feio, tenebroso...
-Não!- ele tocou em meu braço- Olha
esse lugar, é bonito, o seu coração define o seu espaço, o seu lar. As coisas
feias que você vê fazem parte de um plano de “não sei quem” que não quer você.
Essa pessoa que não me queria lá
sabe direitinho como me afastar. Mas isso não importa mais, já descobri a
metade do que me interessava, precisava ajudar Denise.
Perguntei quem era a mulher que
arrastou Denise, ele disse que era Demi, ela queria o livro que estava com
Denise, porque não pertencia a ela. Perguntei onde Denise estava, ele disse que
me levaria até ela.
Então,
a paisagem mudou, de azul o céu ficou neblinoso e as árvores secas e
horripilantes. Foi quando vi Denise caída. Corri. Corri até ela. Estava
desacordada, mas viva.
Lúcia.









