Ele era lindo. Parecia um anjo. Antes de tudo, pedi que ele não contasse para ninguém. Depois perguntei o que ele estava fazendo de baixo da cama:
-Não tenho nada para fazer o dia inteiro... Então eu fico aqui, pensando na minha vida, se é que eu tenho uma.
-Por que você veio parar aqui?
Ele não respondeu como se estivesse inventando uma história:
-Eu não sei. Não me lembro de nada do meu passado. É como se eu não existisse.
Eu desconfiei, mas depois acreditei nele... Quais seriam as possibilidades de eu entrar em um quarto de manicômio, fugindo de uma mulher, entrar de baixo da cama e encontrar uma pessoa que, no primeiro momento eu achei estranho, mas depois eu realmente olhar para cara dele e ver que ele era lindo, talvez mais bonito da Terra – ou onde quer que eu esteja-? Não sei, mas confiei nas palavras dele... E se ele fosse um fugitivo, indo para lugar nenhum, ou pelo menos tentando ir para algum lugar, igual a mim?
Eu estava pensativa, até uma voz invadir meus pensamentos e dizer:
-Precisamos sair daqui!
Não tive mais dúvidas, ele realmente não queria me enganar...
-Sim. – Eu disse, mesmo isso não sendo uma pergunta – Mas não sei como. A mulher de cabelos escuros que, eu acho que mora aqui...
-A Demi?
-É esse o nome dela? Quando eu pegar meu livro de volta, ela vai ver...
-Sim, esse é o nome dela. Mas não entendo porque você tem ódio dela... Ela é uma pessoa tão doce... Se você quiser eu peço para ela o livro e você nos tira daqui.
-Você faria isso por mim?
-Por nós!
E assim, ele foi sumindo dentre a escuridão do corredor. Eu segui ele e, inclusive vi a hora em que a Demi entregou o livro na mão dele, mas não escutei uma só palavra que eles diziam. A expressão facial deles permaneceu intacta durante toda a conversa.
Denise

