domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Socorro?


Ele era lindo. Parecia um anjo. Antes de tudo, pedi que ele não contasse para ninguém. Depois perguntei o que ele estava fazendo de baixo da cama:
            -Não tenho nada para fazer o dia inteiro... Então eu fico aqui, pensando na minha vida, se é que eu tenho uma.
            -Por que você veio parar aqui?
            Ele não respondeu como se estivesse inventando uma história:
            -Eu não sei. Não me lembro de nada do meu passado. É como se eu não existisse.
            Eu desconfiei, mas depois acreditei nele... Quais seriam as possibilidades de eu entrar em um quarto de manicômio, fugindo de uma mulher, entrar de baixo da cama e encontrar uma pessoa que, no primeiro momento eu achei estranho, mas depois eu realmente olhar para cara dele e ver que ele era lindo, talvez mais bonito da Terra – ou onde quer que eu esteja-? Não sei, mas confiei nas palavras dele... E se ele fosse um fugitivo, indo para lugar nenhum, ou pelo menos tentando ir para algum lugar, igual a mim?
            Eu estava pensativa, até uma voz invadir meus pensamentos e dizer:
            -Precisamos sair daqui!
            Não tive mais dúvidas, ele realmente não queria me enganar...
            -Sim. – Eu disse, mesmo isso não sendo uma pergunta – Mas não sei como. A mulher de cabelos escuros que, eu acho que mora aqui...
            -A Demi?
            -É esse o nome dela? Quando eu pegar meu livro de volta, ela vai ver...
            -Sim, esse é o nome dela. Mas não entendo porque você tem ódio dela... Ela é uma pessoa tão doce... Se você quiser eu peço para ela o livro e você nos tira daqui.
            -Você faria isso por mim?       
            -Por nós!
            E assim, ele foi sumindo dentre a escuridão do corredor. Eu segui ele e, inclusive vi a hora em que a Demi entregou o livro na mão dele, mas não escutei uma só palavra que eles diziam. A expressão facial deles permaneceu intacta durante toda a conversa.
Denise
            

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Estou Sozinha


Fui para escola super preocupada com a Denise e com o que estava acontecendo comigo, mas uma coisa que eu não esperava acontecer, aconteceu. Lá vem ela, com o seu olhar superior se achando “a rainha da cocada preta”. Nayara nunca gostou de mim e eu também nunca fui com a cara dela. Ela perguntou se eu já estava passando num psiquiatra, pois o que estava acontecendo comigo era coisa de louco. Eu permaneci calada e revirei os olhos, ela saiu batendo o pé por eu ter ignorado-a. Só queria saber como ela soube sobre o que estava acontecendo comigo sendo que nem a Letícia e nem a Emília sabia.
            Na sala de aula, fiquei isolada no canto. Algumas pessoas vieram perguntar se eu estava bem. A minha resposta era que e estava com dor de cabeça, e eu realmente estava.
            No intervalo, fui até o banheiro para lavar o meu rosto e acabei ficando em transe, nesse período, veio todas as lembranças, desde quando eu tive o meu primeiro surto até a noite de ontem. Quando voltei ao normal, sequei meu rosto, e de repente a energia acabou deixando a escola totalmente escura. Estava tudo em silêncio, como se os alunos não estivessem mais lá, eu fiquei parada para não me esbarrar em nada e em silêncio para ouvir alguma coisa. Comecei a ouvir passos, passos fortes vindo em minha direção. Perguntei quem era. Não obtive respostas. Pegou no meu braço e me puxou para um lugar no qual eu não sabia onde era. Eu gritava. Pedindo para me soltar e perguntando quem era e o que queria. Mas não me soltou nem me respondeu nenhuma das perguntas, apenas fez barulhos estranhos, como se estivesse falando – mas outra língua ou língua nenhuma. Ele ou ela me soltou e a energia voltou. Me surpreendi ao ver que eu estava num necrotério. Com o susto eu esbarrei numa das macas e um defunto caiu. E para minha surpresa era um homem que morreu carbonizado, o mesmo homem que eu vi em baixo da minha cama. Ele abriu os olhos e começou a gargalhar, e isso fez com que os outros defuntos começassem a tremer, como se estivessem tendo uma convulsão. Eu comecei a gritar e correr de um lado para o outro procurando por uma saída, mas as portas estavam trancadas. Um homem com a metade do rosto deformada apareceu. Eu pedi ajuda, ele fez um gesto pata eu segui-lo, no desespero eu o segui. Cheguei numa sala, ele fez outro gesto para eu esperá-lo lá, assim que ele saiu, as luzes se apagaram e soltou uma espécie de gás. Eu adormeci.
Lúcia