domingo, 5 de fevereiro de 2012

Estou Sozinha


Fui para escola super preocupada com a Denise e com o que estava acontecendo comigo, mas uma coisa que eu não esperava acontecer, aconteceu. Lá vem ela, com o seu olhar superior se achando “a rainha da cocada preta”. Nayara nunca gostou de mim e eu também nunca fui com a cara dela. Ela perguntou se eu já estava passando num psiquiatra, pois o que estava acontecendo comigo era coisa de louco. Eu permaneci calada e revirei os olhos, ela saiu batendo o pé por eu ter ignorado-a. Só queria saber como ela soube sobre o que estava acontecendo comigo sendo que nem a Letícia e nem a Emília sabia.
            Na sala de aula, fiquei isolada no canto. Algumas pessoas vieram perguntar se eu estava bem. A minha resposta era que e estava com dor de cabeça, e eu realmente estava.
            No intervalo, fui até o banheiro para lavar o meu rosto e acabei ficando em transe, nesse período, veio todas as lembranças, desde quando eu tive o meu primeiro surto até a noite de ontem. Quando voltei ao normal, sequei meu rosto, e de repente a energia acabou deixando a escola totalmente escura. Estava tudo em silêncio, como se os alunos não estivessem mais lá, eu fiquei parada para não me esbarrar em nada e em silêncio para ouvir alguma coisa. Comecei a ouvir passos, passos fortes vindo em minha direção. Perguntei quem era. Não obtive respostas. Pegou no meu braço e me puxou para um lugar no qual eu não sabia onde era. Eu gritava. Pedindo para me soltar e perguntando quem era e o que queria. Mas não me soltou nem me respondeu nenhuma das perguntas, apenas fez barulhos estranhos, como se estivesse falando – mas outra língua ou língua nenhuma. Ele ou ela me soltou e a energia voltou. Me surpreendi ao ver que eu estava num necrotério. Com o susto eu esbarrei numa das macas e um defunto caiu. E para minha surpresa era um homem que morreu carbonizado, o mesmo homem que eu vi em baixo da minha cama. Ele abriu os olhos e começou a gargalhar, e isso fez com que os outros defuntos começassem a tremer, como se estivessem tendo uma convulsão. Eu comecei a gritar e correr de um lado para o outro procurando por uma saída, mas as portas estavam trancadas. Um homem com a metade do rosto deformada apareceu. Eu pedi ajuda, ele fez um gesto pata eu segui-lo, no desespero eu o segui. Cheguei numa sala, ele fez outro gesto para eu esperá-lo lá, assim que ele saiu, as luzes se apagaram e soltou uma espécie de gás. Eu adormeci.
Lúcia

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