O bom é que até então ninguém notava nossa ausência. Até hoje. Letícia resolveu vir falar comigo. Perguntou se eu e a Denise estávamos matando aula durante esses dias. Menti. Disse que sim. Que eu e a Denise estávamos cansada de sermos as certinhas, e estávamos curtindo a vida.
Passei o intervalo com Emília, ela perguntou se eu estava triste porque Denise havia faltado. Eu disse que sim, mas na verdade, eu estava com medo dela faltar para sempre.
Meu dia foi muito entediante, até que... O sinal tocou encerrando as aulas. Estava o maior “bolo de arroz” porque todos queriam ir embora logo. Eu já estava quase saindo quando ouvi Denise me chamar, mas não sabia onde ela estava.
-Emília, a Denise veio? Estou escutando ela me chamar!
-Você está louca! Eu não escutei ninguém te chamar.
Concordei. Já estava saindo, quando escutei Denise me chamar de novo. Dessa vez nada me impediria. Voltei e fui atrás de onde estava vindo a voz. Acabei indo parar no banheiro, e o mais estranho de tudo é que a voz vinha do vaso sanitário e a água estava borbulhando e saindo fumaça, como se estivesse fervendo. Sai de lá correndo, mesmo acostumada com cada loucura, não deixei de ficar super assustada.
Fui para casa tentando esquecer tudo, o problema é que eu não consegui.
Durante a noite ouvi gritos, mas era como se os gritos estivessem longe da minha casa. Ignorei. No fim, acabei dormindo s ó 30 minutos, porque já era cinco horas da manhã e eu precisava ir para escola.
Lúcia

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