Ele percebeu que eu fiquei ali durante toda
a conversa, mas não quis comentar sobre isso, nem sobre a tática que usou para
convencer Demi a lhe dar o livro, e aquilo para mim também não fazia diferença
alguma naquela hora – pelo menos eu achava que não – já que o cara dos meus
sonhos estava com o livro e sairíamos dali de volta para a realidade.
Mas... Bem, como podem
imaginar não foi exatamente o que aconteceu. Chegaremos lá.
Voltei
para o quarto correndo, com a intenção de que ele não me visse, mas como eu já
disse, ele tinha percebido. Ele veio logo em seguida, sentou-se próximo a mim e
disse que precisávamos descansar.
-Sim.
Anda, me dê o livro, eu sei como tirar a gente desse lugar. Nós voltamos e
descansarmos lá.
-Não
podemos. Sei que sou mais experiente nesse assunto que você e tenho certeza que
se não tivermos forças para completar o ritual poderá acontecer alguma das duas
coisas com nós: ou ficaremos presos no nada, ou morreremos. E acho que você não
vai querer que aconteça nenhum dos dois com nós.
Disse
para eu relaxar e deitar para recuperar as energias.
-Mas...
-eu
já cuidei de tudo, para que nada saia dos “eixos” enquanto descansarmos. Não
sei por que se preocupa tanto com isso. Vamos, deite e descanse. – fez um gesto
para eu deitar no colo dele.
Suspirei.
Mas é claro que eu não recusaria de fazer isso.
Demorei
a pegar no sono. Enquanto isso ele acariciava meus cabelos e contava sua
história, e um pouco antes de eu dormir, já inconsciente por conta do sono, me
lembro de ter deixado escapar um: “eu te amo” bem baixinho, e depois rezado
para que ele não tivesse escutado. E finalmente dormi. Um sono pesado.
Dormi
durante horas e fui acordada pelo barulho de uma coruja. Estava em um lugar
frio, úmido e escuro. Olhei para o lado e vi um rapaz ensangüentado.
Denise

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