quarta-feira, 6 de junho de 2012

Confiança



Ele percebeu que eu fiquei ali durante toda a conversa, mas não quis comentar sobre isso, nem sobre a tática que usou para convencer Demi a lhe dar o livro, e aquilo para mim também não fazia diferença alguma naquela hora – pelo menos eu achava que não – já que o cara dos meus sonhos estava com o livro e sairíamos dali de volta para a realidade. Mas...                 Bem, como podem imaginar não foi exatamente o que aconteceu. Chegaremos lá.
            Voltei para o quarto correndo, com a intenção de que ele não me visse, mas como eu já disse, ele tinha percebido. Ele veio logo em seguida, sentou-se próximo a mim e disse que precisávamos descansar.
            -Sim. Anda, me dê o livro, eu sei como tirar a gente desse lugar. Nós voltamos e descansarmos lá.
            -Não podemos. Sei que sou mais experiente nesse assunto que você e tenho certeza que se não tivermos forças para completar o ritual poderá acontecer alguma das duas coisas com nós: ou ficaremos presos no nada, ou morreremos. E acho que você não vai querer que aconteça nenhum dos dois com nós.
            Disse para eu relaxar e deitar para recuperar as energias.
            -Mas...
            -eu já cuidei de tudo, para que nada saia dos “eixos” enquanto descansarmos. Não sei por que se preocupa tanto com isso. Vamos, deite e descanse. – fez um gesto para eu deitar no colo dele.
            Suspirei. Mas é claro que eu não recusaria de fazer isso.
            Demorei a pegar no sono. Enquanto isso ele acariciava meus cabelos e contava sua história, e um pouco antes de eu dormir, já inconsciente por conta do sono, me lembro de ter deixado escapar um: “eu te amo” bem baixinho, e depois rezado para que ele não tivesse escutado. E finalmente dormi. Um sono pesado.
            Dormi durante horas e fui acordada pelo barulho de uma coruja. Estava em um lugar frio, úmido e escuro. Olhei para o lado e vi um rapaz ensangüentado.

Denise

Nenhum comentário:

Postar um comentário