Ela me levou para um lugar onde não se via
nada, nem o chão. Disse para eu fechar os olhos contar até dez e abrir. Quando
abri, estava na escola. Tudo normal. Caminhei até o pátio, e fiquei olhando
para as pessoas. De repente percebi que Karine estava na minha frente.
Perguntou por que eu estava daquele jeito. Gaguejei, mas respondi que não
estava acontecendo nada. Sai. Ela não veio atrás.
Sentei
num banco e abaixei a cabeça. Alguém me tocou. Quando vi, me assustei tanto que
nem consegui sair do lugar, tinha uma pessoa (acho que era uma pessoa) sem os
olhos com o maxilar aberto babando sangue e gemendo. Fechei os olhos e comecei
a gritar sem parar. Escutei uma voz bem longe a chamar meu nome, mas ignorei e
continuei gritando, a voz foi aumentando e eu abri os olhos. Estava a escola
inteira me olhando. Emília estava perto de mim. Me perguntou por que eu comecei
a gritar quando a vi. Disse que não sabia. Na verdade, não quis contar, iam
achar que sou alucinada, mas fiquei com fama de louca (não sei qual é pior).
Em
casa, durante a noite não consegui dormir. Ouvi os gritos de novo, mas dessa
vez eu entendi, chamava por meu nome.
No dia seguinte, encontrei Nayara, mas ela
me tratou como sempre, como se nada tivesse acontecido, achei estranho mas
resolvi deixar em “off”.
Passei
a manhã quieta. Denise não apareceu.
No
final da aula, quando eu estava saindo, Nayara segurou meu braço e sem dizer
nada me arrastou até a biblioteca. Pedi para ela me deixar em paz, mas foi como
se eu não tivesse dito nada.
-Eu
sei que você quer não voltar, mas tem que colaborar se quiser trazer Denise de
volta!
-Se
você sabe o que está acontecendo, por que não me diz nada? Não foi você que
disse que agora temos que remar no mesmo sentido?
Pediu
para eu não fazer perguntas. Ela só estava cumprindo ordens. Ela não se
importava o que estava acontecendo nem porque, só queria sair dessa história.
De repente eu fiquei de novo no escuro, mas
não havia ninguém comigo.
Lúcia
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